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Após cinco anos de vacinação, a COVID-19 diminui, mas ainda gera preocupações

Posted on 24/01/202624/01/2026 By Redação Nenhum comentário em Após cinco anos de vacinação, a COVID-19 diminui, mas ainda gera preocupações

Foto: Raquel Portugal/FioCruz

A vacinação contra a Covid-19, iniciada há cinco anos no Brasil, foi fundamental para a contenção da pandemia. Contudo, a doença ainda persiste, embora em níveis significativamente reduzidos. Especialistas enfatizam a necessidade de continuar a imunização, especialmente entre aqueles que não foram vacinados anteriormente ou que estão em grupos de risco para o desenvolvimento de formas graves da doença.

Cobertura Vacinal Abaixo do Ideal

Infelizmente, a cobertura vacinal permanece aquém do desejado. Em 2025, de cada 10 doses distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios, menos de 4 foram efetivamente aplicadas. No total, foram disponibilizadas 21,9 milhões de vacinas, das quais apenas 8 milhões foram administradas.

Dados da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora a síndrome respiratória aguda grave (SRAG), revelam as consequências dessa baixa adesão. Em 2025, pelo menos 10.410 pessoas apresentaram quadros graves após infecção pelo coronavírus, resultando em cerca de 1.700 mortes. Esses números referem-se apenas aos casos confirmados por testes laboratoriais, e como alguns registros são inseridos tardiamente no sistema de vigilância do Ministério da Saúde, os dados de 2025 ainda podem ser atualizados.

A Persistência do Coronavírus

Leonardo Bastos, coordenador do Infogripe, alerta que o coronavírus continua a ser um dos vírus respiratórios mais perigosos para a saúde pública. “A Covid-19 não desapareceu. Ocorrem surtos periodicamente, e é necessário monitorar se esses surtos podem se transformar em epidemias. Os números atuais de casos e mortes ainda são alarmantes. Após um período tão intenso durante a pandemia, o que antes era considerado elevado acaba sendo normalizado,” afirma.

Tatiana Portella, pesquisadora da plataforma, complementa que o vírus ainda não apresentou um padrão sazonal, como ocorre com a influenza, que tende a aumentar durante o inverno. “Uma nova onda pode surgir a qualquer momento com o aparecimento de uma variante mais transmissível e infecciosa, e não há como prever quando isso ocorrerá. Portanto, é crucial que a população mantenha a vacinação em dia,” recomenda.

Inclusão da Vacina no Calendário Básico

Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 foi incorporada ao calendário básico de vacinação para três grupos prioritários: crianças, idosos e gestantes. Além disso, indivíduos pertencentes a grupos especiais devem reforçar a imunização periodicamente. No entanto, a adesão a esse calendário tem sido desafiadora no Brasil. O Ministério da Saúde informou que, em 2025, foram aplicadas 2 milhões de doses no público infantil, mas não especificou a taxa de cobertura alcançada.

O painel público de vacinação revela que apenas 3,49% do público-alvo com menos de um ano foi vacinado em 2025. Em nota, o Ministério esclareceu que “os dados atuais subestimam a cobertura real, pois o painel apresenta apenas a aplicação em crianças menores de um ano, enquanto o público-alvo inclui crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais” e que “está em processo de consolidação dos dados por coorte etária.”

Percepção de Risco e Vacinação Infantil

Mesmo durante o estado de emergência sanitária, a cobertura ideal de 90% não foi alcançada. A vacinação infantil começou em 2022, e até fevereiro de 2024, apenas 55,9% das crianças de 5 a 11 anos e 23% das crianças de 3 e 4 anos haviam sido vacinadas.

Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, aponta que a principal causa dessa baixa adesão é a diminuição da percepção de risco. “O ser humano é guiado pela percepção de risco. O Brasil foi um dos primeiros países a alcançar uma cobertura superior a 80% na população adulta. No entanto, quando a vacina foi disponibilizada para as crianças, o cenário havia mudado, com menos casos e mortes, o que reduziu a percepção de risco. Isso favoreceu a disseminação de informações antivacinas, que têm mais impacto quando as pessoas não percebem o risco,” argumenta.

Riscos da Covid-19 em Crianças

O risco da Covid-19 permanece elevado, especialmente para crianças com menos de 2 anos, que constituem o segundo grupo mais vulnerável a complicações, apenas atrás dos idosos. Dados da Infogripe indicam que, entre 2020 e 2025, foram registrados quase 20.500 casos de síndrome respiratória aguda grave nessa faixa etária, resultando em 801 mortes. Mesmo em 2025, ano em que a doença estava teoricamente controlada, ocorreram 55 mortes e 2.440 internações.

Além disso, as crianças podem desenvolver uma complicação rara associada à Covid-19 chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que tem uma taxa de mortalidade de aproximadamente 7%. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou cerca de 2.100 casos de SIM-P, com 142 óbitos. Um estudo realizado com quase 14 milhões de crianças e adolescentes na Inglaterra também indicou uma maior incidência de doenças cardiovasculares, como miocardite e tromboembolismo, após a infecção pelo coronavírus.

Eficácia das Vacinas

Por outro lado, a eficácia das vacinas foi amplamente comprovada. Um acompanhamento realizado com 640 crianças e adolescentes vacinados com a Coronavac em São Paulo demonstrou que apenas 56 deles foram infectados após a vacinação, e nenhum apresentou complicações graves. As vacinas pediátricas também se mostraram seguras. Entre 2022 e 2023, o Brasil administrou mais de 6 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 em crianças, com poucas notificações de eventos adversos, a maioria leve, conforme monitoramento do Ministério da Saúde.

Isabela Ballalai ressalta a importância do papel dos profissionais de saúde na elevação das taxas de vacinação. Ela defende que é fundamental aprimorar a formação médica e que os profissionais em exercício se mantenham atualizados com as melhores evidências científicas, recomendando a vacinação às famílias. “Infelizmente, alguns médicos renomados, que sempre defenderam as vacinas, agora questionam sua eficácia. Interesses políticos e financeiros podem influenciar essas opiniões. Entre um médico conhecido e um novo, é natural que as pessoas confiem mais no primeiro. Contudo, aqueles que defendem as vacinas possuem evidências científicas robustas para respaldar suas afirmações,” conclui.

Recomendações de Vacinação Contra a Covid-19

Bebês:

  • 1ª dose aos 6 meses
  • 2ª dose aos 7 meses
  • 3ª dose aos 9 meses (apenas para crianças que receberam a vacina da Pfizer)

Crianças imunocomprometidas:

  • 1ª dose aos 6 meses
  • 2ª dose aos 7 meses
  • 3ª dose aos 9 meses (independente do imunizante)
  • Dose de reforço a cada 6 meses

Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades:

  • Esquema básico semelhante ao das crianças em geral
  • Dose de reforço anual

Crianças com menos de 5 anos que não foram vacinadas ou que não completaram o esquema básico devem fazê-lo.

Gestantes:

  • Uma dose a cada gravidez

Puérperas (até 45 dias após o parto):

  • Uma dose, caso não tenham sido vacinadas durante a gravidez

Idosos (a partir de 60 anos):

  • Uma dose a cada 6 meses

Pessoas imunocomprometidas:

  • Uma dose a cada 6 meses

Pessoas vivendo em instituições de longa permanência, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, comorbidades, privadas de liberdade, funcionários do sistema prisional, em situação de rua e trabalhadores dos Correios:

  • Uma dose por ano

Pessoas entre 5 e 59 anos que nunca foram vacinadas contra a Covid-19:

  • Uma dose
SAÚDE Tags:Saúde

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