Foto: MPRS
Uma ação conjunta do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e da Brigada Militar sacudiu a política no Sul do estado nesta sexta-feira, 14 de agosto. Deflagrada pelo 10º Núcleo Regional do GAECO, a Operação Expurgo cumpriu 33 mandados de busca e apreensão nos municípios de Pelotas e Capão do Leão. A investigação mira o uso de verbas públicas para fins pessoais, a prática sistemática de “rachadinha”, lavagem de dinheiro e a infiltração de organizações criminosas na estrutura administrativa do Legislativo pelotense.
As ordens judiciais tiveram como alvo 20 investigados (19 pessoas físicas e uma pessoa jurídica). Entre os investigados estão três vereadores de Pelotas — inclusive o presidente da Casa —, assessores, servidores públicos, guardas municipais e particulares. Durante as diligências, cinco mandados foram executados nas dependências da Câmara Municipal, englobando gabinetes parlamentares. Agentes apreenderam documentos, mídias eletrônicas e R$ 96 mil em espécie com dois parlamentares e um assessor.
As frentes da investigação
Sob a coordenação do promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas — com apoio dos promotores José Alexandre Zachia Alan, Érico Rezende Russo e Mateus Stoquetti de Abreu —, o GAECO detalhou duas frentes centrais de atuação ilícita:
- Esquema de “Rachadinha” e Agiotagem: Servidores comissionados eram coagidos a devolver parte de seus salários como condição para permanecer nos cargos. O dinheiro público desviado era movimentado para quitar dívidas de agiotagem e ocultado por meio de lavagem de dinheiro.
- Infiltração do Crime Organizado: Ocupação de cargos comissionados na estrutura parlamentar por integrantes de facções criminosas. Além de receberem salários pagos pelos contribuintes, os criminosos usavam a nomeação pública para conferir aparência de vida legal aos seus rendimentos.
Segundo o MPRS, o caso teve início a partir de relatos espontâneos prestados por um ex-secretário municipal e dois servidores da Câmara, confirmados posteriormente por quebras de sigilo financeiro e provas digitais autorizadas pela Justiça.
Quem são os alvos
A lista de 20 investigados abrange diferentes níveis da administração pública e pessoas ligadas ao grupo:
- 3 Vereadores: Michel Promove (PP – Presidente da Câmara), Cesar Brisolara “Cesinha” (PSB) e Cauê Fuhro Souto (Podemos).
- 1 Chefe de gabinete parlamentar
- 5 Assessores parlamentares e servidores comissionados
- 3 Guardas municipais
- 1 Ex-assessor comissionado
- 6 Particulares: Empresários, familiares e “laranjas” (interpostas pessoas).
Os crimes apurados incluem organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, usura (agiotagem) e lavagem de dinheiro.
O que dizem os citados
Câmara Municipal de Pelotas O Legislativo informou, em nota assinada pelo presidente Michel Promove, que recebeu os mandados e prestou total colaboração às autoridades. Afirmou manter a tranquilidade e estar à disposição da Justiça para assegurar os princípios da administração pública. Em suas redes, Promove ressaltou que os documentos da Casa são públicos e que o empenho é para que a apuração avance.
Cauê Fuhro Souto (Podemos) O vereador declarou estar com a “consciência absolutamente tranquila” e sem qualquer envolvimento com os fatos. Afirmou pautar seu mandato pela transparência e atuação fiscalizadora independente, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos.
Cesar Brisolara – Cesinha (PSB) Em nota, disse ter sido surpreendido pela busca em sua residência e gabinetes, garantindo ter colaborado com a medida. Apontou que o MP ainda não individualizou os fatos atribuídos a cada investigado e negou qualquer irregularidade no exercício do mandato.
Nota da redação: O espaço segue aberto caso os demais citados ou suas defesas desejem se manifestar.
Fontes:
- Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS / GAECO – Sul)
- Câmara Municipal de Vereadores de Pelotas (Gabinete da Presidência)
- Pronunciamentos e notas oficiais enviadas pelas defesas dos vereadores citados
