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Na manhã desta quinta-feira, 26, o nível da Lagoa dos Patos registrou 79,1 centímetros, chegando próximo à cota de inundação de 80 centímetros, conforme medição realizada às 9h30 pelo linígrafo instalado no cais do Centro de Convívio Meninos do Mar (CCMar). Esses dados fazem parte da rede de Monitoramento do Nível da Lagoa dos Patos, coordenada pelo Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) da FURG.
Devido à elevação do nível, algumas áreas da cidade, como as ruas Marechal Deodoro e Lagoa Azul, estão enfrentando alagamentos. Esses alagamentos ocorrem principalmente em terrenos localizados em áreas mais baixas do município, muito próximos ao nível da Lagoa dos Patos. Na rua Lagoa Azul, por exemplo, o refluxo de água pelo sistema de drenagem pode causar alagamentos mesmo com cotas inferiores a 80 cm.
O último boletim da prefeitura do Rio Grande, divulgado às 9h desta manhã, indica que, até o momento, não foram registrados danos significativos, como pessoas desalojadas ou ruas interditadas. O boletim também informa que a direção dos ventos está soprando de oeste/sudoeste, o que tem contribuído para o represamento da água no Estuário.
A direção dos ventos é um fator crucial para o escoamento da água em direção ao Oceano Atlântico. Ventos soprando de sul e sudeste tendem a represar a água no Estuário, dificultando o escoamento para o mar e provocando o acúmulo de água na margem de São José do Norte. Por outro lado, ventos provenientes do norte e noroeste favorecem esse escoamento, ajudando a reduzir o nível do Estuário.
Referencial de Medida do Nível da Lagoa dos Patos
Durante a enchente de maio de 2024, a cota de inundação do ponto mais baixo da Lagoa dos Patos, na rua Marechal Deodoro, era de 140 centímetros, conforme medição do sistema TideSat, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Neste ano, após estudos técnicos, o Comitê de Eventos Extremos da FURG atualizou as cotas de inundação da Lagoa dos Patos, adotando como referencial o “Marco Zero” do marégrafo do Porto de Imbituba, em Santa Catarina. Essa medida é utilizada como padrão para todas as medições de níveis de corpos hídricos no Brasil, com base no nível médio do mar.
Com essa atualização, a cota de inundação na rua Marechal Deodoro passou a ser de 80 centímetros. Assim, quando a água atinge essa medição no linígrafo do CCMar, indica que regiões mais baixas estão registrando alagamentos.
Com as novas medições, no Porto Histórico, a água atinge o limite do Porto Velho quando chega a 132 centímetros. Na medição anterior, isso correspondia a 190 centímetros, de acordo com os dados da plataforma TideSat, que era a única disponível na época com atualização em tempo real.
Diante da nova avaliação, a cota máxima que a Lagoa dos Patos atingiu em maio de 2024 agora é de 218 centímetros em relação ao Marco Zero, conforme o sistema de referência utilizado para todas as medições de níveis de corpos hídricos no Brasil.
